domingo, 9 de agosto de 2009

Eu comeria a Tati Bernardi.

Acho incrível como toda vez que vou ler um texto novo no site da Tati Bernardi, ela fala sobre o que eu tô vivendo. In-crí-vel. E esse aqui... Perfeito.

"Impune"
Ontem me perdi, como sempre acontece quando estou perto da sua casa, e fui cair na rua da farmácia, a rua atrás da sua. Ou da frente (é que todo o mundo parece ficar atrás da sua casa, seja a rua que for, seja lá o que isso quer dizer). Algo me carrega pra perto de você, um algo infinitamente pequeno e solitário frente ao imenso e diversificado não que carrego em relação a nós. Isso, de estar por perto e poder vê-lo, sempre me gela o coração e seca a boca, o que é uma besteira pois sem dramas ou dúvidas externadas seguimos com nossas vidas e, também num acordo silencioso e quase sem importância, decidimos manter uma amizade agradável e sem fins sexuais a cada doze ou nove ou dezessete ou onze ou quarenta e três dias. Não sei se era você, veja bem, te vejo a todos os instantes saindo e entrando de todo e qualquer lugar e nunca, nunca, é você. Às vezes são até mesmo umas pessoas bem feias e diferentes e impossíveis de te lembrar. Mas tudo lembra e assim sigo te vendo por toda parte a todos os instantes (engraçado que no dia que era você não levei susto e cheguei mesmo a pensar que você não é você, mas essa é outra história). E na rua da farmácia, saindo dela, estava você, ou mais um desses seres que fantasmagoricamente ganham alguns de seus movimentos ou cores ou nadas. E era um você acompanhado, abraçado, a uma garota que me pareceu sem graça, um pouco larga e com um cabelo igualmente sem graça e igualmente recheado, além da conta, para as laterais. Mais velha, mais alta, do que eu. Não era você e acho que inventei um pouco agora sobre a mulher. Era só uma mulher na altura da sua axila e você parecia esmagá-la com intensidade como fazia comigo, poucos meses atrás. Muitos até pode se dizer, mas para mim, poucos. Segue ali um homem impune, pensei. Um cruel homem impune. Um destruidor de mundo impune, eu pensei. O cara do fogo, da chacina, da faca, da bala, da explosão, de tudo isso que também é amor quando não se sabe ou não se pode simplesmente agir amorosamente. Eu quis abrir a janela do meu carro e gritar, alto, com força e seriedade, até sumir minha voz: peeeeeeeguem! Ladrããão! Mas não fiz nada. Tudo durou um milésimo de segundo e certamente nem era você. Ou era. E essa pobre mulher, gorda e feia em minha imaginação, bonita, madura e leve, em minha imaginação. A mulher da minha imaginação. Essa mulher, pobre coitada. Quando tempo a bexiga murcha que você carrega no peito poderá dar a ela o tal do abraço apertado que você gosta tanto? Aquele que sufoca e depois solta no mundo gélido, de ponta cabeças, com os pés pendurados numa corda que não vemos e por isso mesmo demora a desatar. Nem bem se acostuma a ser amada, a sua mulher, qualquer que seja ela, já que você coleciona e não ama e um dia disse apenas, de mim: “tô com uma mulher”. Nem bem se anda com você no peito, equilibrando a dor que um amor tão evasivo causa por querer tanto correr do peito alheio, pra logo estarmos atravessando sozinhas, as ruas, com medo dos carros desenfreados e do vento que passa levando poeiras e intenções. Você, meu querido, com tudo que parece ter de bom, inclusive sua tristeza e desânimo, esse presente humilde e falso que sua arrogância dá a quem poderia simplesmente odiar você e fim de papo, impossibilitando que alguém te faça tanto mal já que você chega antes. Você, meu amor, ainda que viva na coragem de tomar na cara os murros do mundo e por isso mesmo possa se ausentar com maestria de tomar unhadas de mocinhas. Você, que o mundo perdoa mas eu não, ainda que eu queira bem mais que ele. Que me causa esse ânimo desolador quando vez ou outra, do outro lado da linha, me faz ouvir mais uma vez essa coisa que me arrasa o dia e a vida mas quase se parece com alegria. Seu pigarro poderia ser o único sopro saudável que escuto quando lembro ou sinto algo. Você é o homem impune, indo e voltando, todos os dias, pra sua casa e outras casas. O homem impune que depois de tanto sentir e dizer e tentar (tanto em tão pouco), simplesmente saiu mais uma vez da farmácia, com seus pacotes de camisinhas, antiácidos e vontades de esmagar corações nas axilas. O homem impune e mais uma mulher. Se o mundo for justo, se o mundo for realmente justo, um dia vou estar ocupada demais pra viver tão ofendida com pessoas que desfilam amores como se fossem sacolinhas de farmácia. O homem impune atravessando ruas querendo qualquer coisa do outro lado delas, mas apenas pra ter forças pra esperar o sinal e conseguir alcançar esse curto espaço de viver. Não é pelo outro lado, é só pra poder ir. É algo sobre atravessar e nunca sobre chegar. O homem impune e seus paliativos com vencimento, numa sacolinha de farmácia. Não te atropelei porque eu não quis, e digo isso me referindo a todo o resto.

PONTO!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Paguei o preço.

Não sei o que quero escrever, mas sei que preciso, pra ver se passa um pouco dessa angústia que fez moradia aqui dentro desde quando a gente resolveu que tempo é a solução pra tudo, e não abriu mais nenhuma caixinha pra escrever depoimentos. Isso só faz uma semana, mas já tem me custado algumas noites de insônia. Insônia! Logo eu, que durmiria o dia inteiro se pudesse...
E sabe o que mais que você me custou até hoje? Você me custou 10 meses. Você me custou 10 meses de entrega. 10 meses em que não olhei pro lado nenhuma vez. E se olhei, foi só pra ver e ter mais certeza ainda que o que eu realmente queria era o que estava bem na minha frente. E fui capaz de abrir mão de muitas coisas que eu sempre fui acostumada a viver... Abri mão de pessoas. De oportunidades.
Você me custou algumas lágrimas. Algumas das minhas raras lágrimas. Você me custou alguns dias de expectativa.
Custou alguns reais pra entrar em lugares que eu nem sei se queria. Custou alguns reais em bebidas alcóolicas só pra mim não ficar me preocupando em ter um colápso caso eu visse algo que não gostaria.
Você me custou vários sorrisos.
Você me custou um ex-namorado, um sonho de consumo, um futo namorado e o um dos melhores partidos da cidade. Você me custou um pote inteiro de creme da Victoria's Secret de uva. Me custou vários suspiros.
Você me custou uma caída de bunda descendo aquele morrinho atrás do bar. Me custou um casaco sujo de concreto aquele dia da nossa maior aventura.
Você me custou váários reais gastos em lan house lá em BC. E vááários reais de entradas na internet pelo meu celular.
Me custou alguns neurônios queimados tentando descobrir 1% do que passava na tua cabecinha. Ou cabeçona!
Você me custou várias mensagens pelo celular. Me custou risadas sozinha pela rua.
Eu poderia ficar dias dizendo tudo que você me custou nesses 10 meses de muitos sorrisos, algumas dúvidas e um tempo final. Mas mais que tudo isso, você custou minha inspiração e vontade.
Não sei bem o rumo que as coisas vão tomar daqui em diante, ou quando eu te encontrar por aí. Mas já tenho a consciência de que serão como o destino quiser. E sei também, que o melhor pra mim no futuro, é o pior agora. Mas que seja assim então... Já vivi 18 anos muito bem sem você. 10 meses muito bem com você. Agora é hora de me devolver pra vida... E respirar, livre. Como sempre, voltei pra rehab! E agora você não vai me custar mais NADA.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

'Cause she don't have what's ours.

E eu volto aqui, eu sempre volto aqui. Pra derramar meus sorrisos e minhas lágrimas. A mesma pessoa que me levou a fazer um novo blog porque eu precisava extrapolar minha felicidade em algum canto sem que ninguém me achasse exagerada, me fez voltar aqui pra tentar tirar um pouco dessa dor e dessa vontade de me enfiar dentro da minha bolha pra não sair nunca mais, de mim pra esse espaço. Não sei se estou suficientemente bem pra conseguir escrever alguma coisa depois dessa descarga elétrica em cima de mim, assim, sem nenhuma placa ou aviso prévio.
Sempre deu tudo tão certo desde a primeira vez em que a gente se encontrou que eu nunca parei pra pensar como seria e como eu ficaria se algum dia algo desse errado. Sempre foi tudo como eu sempre quis que quando eu pensava que teria que esperar por algo, você já tinha feito. Nunca precisei me preocupar em ter que fingir alguma coisa, nunca me preocupei quando nas raras vezes o destino ia contra a gente, porque logo a maré voltava a nosso favor como todo o resto.
Mas dessa vez foi diferente. Eu disse que quando começo a me importar é quando começo a estragar tudo. Sem perceber eu acabo tendo tanto medo que isso me faz perder o que eu já tinha e não notava. E esse medo inventa tanta coisa dentro de mim que não é real, e de tanto eu pensar que vejo, acaba se tornando realidade. E dessa vez foi diferente. Foi inusitado. Nada previsto como eu sempre esperava de todos os outros qualquer coisa pra me decepcionar. Mas de você eu nunca esperei isso, talvez por burrice, eu acho. Talvez porque você sempre fez tudo certo que eu nem usava mais minha armadura. E foi aí que eu errei, tirando minha armadura - que você ria quando eu falava, mas, viu como eu sempre devo usá-la. Me senti tão certa que pela primeira vez em muito muito tempo, baixei a guarda e me despi de todos os meus métodos de defesa. E eu acho que cedo demais. Não sei se foi a falta de armadura ou todo aquele álcool de sábado à noite, mas eu senti vontade e chorar e mandei tudo se foder sabe o que eu fiz? Chorei. O que eu já nem lembrava como era. Senti aquela dor que eu nem lembrava como era. Tive vontade de gritar como eu já nem lembrava como era. E foi sem dúvida o pior dia do ano mas ao mesmo tempo eu senti um alívio porque eu sempre engolia todos os sapos e seguia em frente sem poder sofrer, porque eu era forte demais pra isso. E agora nem tentei resistir porque veio que nem um rajada em cima de mim tudo o que eu vi com olhos destorcidos. E tentei imaginar só pra que doesse tanto mas tanto, que eu me acostumasse com a dor e assim viraria anestesia. mas até agora, não adiantou. Nem tuas tentativas de explicação pra o que não há nenhuma sensata.
E eu espero que você se arrependa, depois de ter cheirado cada centímetro da nuca, ombro, costas e pele mais lisa atrás do joelho dela procurando o meu cheiro. Depois de ficar esperando a noite inteira que ela mordesse o lábio inferior que nem eu. Ou que ela risse de ficar olhando o movimento na sombra. E depois disso que você se arrependa mais ainda. E que você lembre que só eu sei pisar nas escadas fazendo aquele barulho com o salto. Que mais ninguém vai ter arrepio na barriga que nem eu, ou comer nuggets queimados de madrugada tomando chocomilk como a gente fazia. E mais ainda, que você erre o nome dela e diga o meu. Porque, como diria Madonna: ela não sou eu, ela não tem o meu nome, ela não tem o que eu tenho, não vai ser a mesma coisa. E depois disso tudo que você pare e pense que talvez seja tarde demais. E que realmente, eu voltei a ser "o loirão" que tu gosta, mas, não é tão bom assim quando você já não faz mais parte da minha lista boa. E que você se arrependa. Sem fingimento eu desejo mesmo isso. Com toda a minha sinceridade, mandando a merda sentimentos nobres, espero mesmo que você se arrependa. Porque pode demorar, mas quando eu resolver que você deixou de ser "ele" pra voltar a ser somente "aquele", vai feder. Porque, she's not me.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

...E cheirou meu travesseiro pra saber se ainda tinha seu cheiro. Ou pra tentar lembrar meu cheiro e ver se ele ainda te deixa sem vontade de ir embora. Mas ainda assim, não somos íntimos. Nada disso. Só estamos aqui, reunidos nesse momento, porque temos duas coisas muito simples em comum: nada melhor pra fazer e vontade de fazer sexo. Só isso. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Muito melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não me olha assim e diz que vai refazer o contrato. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu chapéu é muito legal. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir porque você fica engraçado queimado. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso.

Acho que te odeio porque toda vez que tento te odiar, você faz tudo certo não me deixando espaço pra que isso aconteça.

domingo, 30 de novembro de 2008

New. Again.

Blog novo aeeee! Dessa vez não por livre e espontânea vontade, e sim porque esqueci a senha do velho e se tento recuperá-la vai pro e-mail velho, o qual o hacker amadinho roubou. Então... Me obriguei. Só acrescenta um "2" ao endereço, coisa linda.

E pra começar, claro...

Não lembro quando foi que comecei a me importar. Deve ter sido em algum instante entre eu me livrar do passadinho não tão distante e nossos encontros inusitados cada vez mais seguidos. Não sei quando foi que comecei a pirar na sua nuca e naquele cheiro só teu que sempre se encontra lá, centímetros acima da tatuagem. Esperando por mim e pela minha respiração no meio da madrugada te fazendo arrepiar. Não sei em qual momento você deixou de ser "aquele" pra ser só mente "ele". Não sei porque comecei a usar mais seguido aquele creme de pêssego porque o cheiro que ele deixa atrás do meu joelho te faz virar os olhos. Provavelmente porque você tem esse jeito lindo de gostar até dos meus erros. Esse jeito lindo de falar tudo que você fala. Esse jeito lindo de me convencer a ficar. Esse jeito lindo de ver pelos meus olhos, que toda essa diferença de tudo entre a gente só nos faz igual por querermos as mesmas coisas do mesmo jeito. Nunca me dei bem com taurinos e você quebrou esse tabu me aguentando por quase 3 meses seguidos. Não lembro quando foi que comecei a me importar, mas isso dá medo. Muito medo, porque quando eu começo a me importar, é quando começo a estragar tudo. Porque não sei gostar mais ou menos das pessoas. Ou importa ou não importa. Ou eu quero mesmo ou não quero. Me dá um medo imenso quando durante as nossas conversas de horas com pernas entrelaçadas, a gente descobre que já tínhamos nos visto naquele lugar, e aquele outro dia, com aquela pessoa, quebrando cadeiras, em aniversários, colocando pulseirinhas. Me surpreendo com a quantidade de coisas maravilhosas que a gente descobre um do outro e um no outro quando estamos juntos. E aí vem o medo porque dessa vez você não é daqueles manés que eu sempre encontro no meio do caminho e enfio pra dentro da minha vida. Nem perto dos últimos 3. Você é perfeito. Você sempre sabe o que dizer, você me deixa pirar e acha graça. Eu não preciso tirar o salto pra não fazer barulho, ao contrário, porro gritar, posso espalhar minhas roupas pelo chão, não importa. Eu não preciso fingir que somos conhecidos, eu posso pegar na sua mão e te levar comigo. Você não deixa um espacinho pra mim pensar "outro mané"... E porra, isso dá medo!!! Medo de até quando os meus erros e piras vão te divertir. Até quando o meu cheiro ainda vai fazer o quarto ser somente silêncio pra que você possa respirar ele o tempo todo.

E eu fiz , sem mentira, uns 15 finais pra esse texto, mas nenhum é suficientemente bom, porque não quero pôr fim numa coisa que tá recém começando... Seria estupidez. E dessa vez, não sei se tô fazendo tudo certo ou o que, mas assim tá funcionando. So... Go to the next chapter!