segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

'Cause she don't have what's ours.

E eu volto aqui, eu sempre volto aqui. Pra derramar meus sorrisos e minhas lágrimas. A mesma pessoa que me levou a fazer um novo blog porque eu precisava extrapolar minha felicidade em algum canto sem que ninguém me achasse exagerada, me fez voltar aqui pra tentar tirar um pouco dessa dor e dessa vontade de me enfiar dentro da minha bolha pra não sair nunca mais, de mim pra esse espaço. Não sei se estou suficientemente bem pra conseguir escrever alguma coisa depois dessa descarga elétrica em cima de mim, assim, sem nenhuma placa ou aviso prévio.
Sempre deu tudo tão certo desde a primeira vez em que a gente se encontrou que eu nunca parei pra pensar como seria e como eu ficaria se algum dia algo desse errado. Sempre foi tudo como eu sempre quis que quando eu pensava que teria que esperar por algo, você já tinha feito. Nunca precisei me preocupar em ter que fingir alguma coisa, nunca me preocupei quando nas raras vezes o destino ia contra a gente, porque logo a maré voltava a nosso favor como todo o resto.
Mas dessa vez foi diferente. Eu disse que quando começo a me importar é quando começo a estragar tudo. Sem perceber eu acabo tendo tanto medo que isso me faz perder o que eu já tinha e não notava. E esse medo inventa tanta coisa dentro de mim que não é real, e de tanto eu pensar que vejo, acaba se tornando realidade. E dessa vez foi diferente. Foi inusitado. Nada previsto como eu sempre esperava de todos os outros qualquer coisa pra me decepcionar. Mas de você eu nunca esperei isso, talvez por burrice, eu acho. Talvez porque você sempre fez tudo certo que eu nem usava mais minha armadura. E foi aí que eu errei, tirando minha armadura - que você ria quando eu falava, mas, viu como eu sempre devo usá-la. Me senti tão certa que pela primeira vez em muito muito tempo, baixei a guarda e me despi de todos os meus métodos de defesa. E eu acho que cedo demais. Não sei se foi a falta de armadura ou todo aquele álcool de sábado à noite, mas eu senti vontade e chorar e mandei tudo se foder sabe o que eu fiz? Chorei. O que eu já nem lembrava como era. Senti aquela dor que eu nem lembrava como era. Tive vontade de gritar como eu já nem lembrava como era. E foi sem dúvida o pior dia do ano mas ao mesmo tempo eu senti um alívio porque eu sempre engolia todos os sapos e seguia em frente sem poder sofrer, porque eu era forte demais pra isso. E agora nem tentei resistir porque veio que nem um rajada em cima de mim tudo o que eu vi com olhos destorcidos. E tentei imaginar só pra que doesse tanto mas tanto, que eu me acostumasse com a dor e assim viraria anestesia. mas até agora, não adiantou. Nem tuas tentativas de explicação pra o que não há nenhuma sensata.
E eu espero que você se arrependa, depois de ter cheirado cada centímetro da nuca, ombro, costas e pele mais lisa atrás do joelho dela procurando o meu cheiro. Depois de ficar esperando a noite inteira que ela mordesse o lábio inferior que nem eu. Ou que ela risse de ficar olhando o movimento na sombra. E depois disso que você se arrependa mais ainda. E que você lembre que só eu sei pisar nas escadas fazendo aquele barulho com o salto. Que mais ninguém vai ter arrepio na barriga que nem eu, ou comer nuggets queimados de madrugada tomando chocomilk como a gente fazia. E mais ainda, que você erre o nome dela e diga o meu. Porque, como diria Madonna: ela não sou eu, ela não tem o meu nome, ela não tem o que eu tenho, não vai ser a mesma coisa. E depois disso tudo que você pare e pense que talvez seja tarde demais. E que realmente, eu voltei a ser "o loirão" que tu gosta, mas, não é tão bom assim quando você já não faz mais parte da minha lista boa. E que você se arrependa. Sem fingimento eu desejo mesmo isso. Com toda a minha sinceridade, mandando a merda sentimentos nobres, espero mesmo que você se arrependa. Porque pode demorar, mas quando eu resolver que você deixou de ser "ele" pra voltar a ser somente "aquele", vai feder. Porque, she's not me.

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